Quinta, 21 de junho de 2018
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Giro RS

07/03/2018 ás 16h39

Moises Pacheco

Gravataí / RS

86,4% das mulheres que sofrem assédio no trabalho não denunciam, aponta pesquisa
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86,4% das mulheres que sofrem assédio no trabalho não denunciam, aponta pesquisa

Na véspera do Dia Internacional da Mulher, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul promoveu, na manhã desta quarta-feira, um debate sobre violência e gênero. O encontro organizado pela Procuradoria Especial da Mulher do Legislativo discutiu temas envolvendo mulheres, entre eles, a violência doméstica.


O Instituto Cidade Segura divulgou, no evento, novos dados sobre a pesquisa de vitimização em Porto Alegre. A pesquisa foi realizada com mil pessoas e tratou sobre assédio no ambiente de trabalho, situações de constrangimento sexual, se o aborto não deveria ser considerado crime até três meses de gestação e buscou saber opinião das pessoas sobre se mulheres comportam-se pedindo para ser estupradas, entre outros questionamentos. Um dos dados que mais chamou a atenção é o fato de que 86,4% das mulheres que afirmaram ter sofrido assédio em ambiente de trabalho não denunciaram a situação.


Para a deputada estadual e procuradora especial da Mulher, Manuela d´Ávila (PCdoB), o fato de não fazer a denúncia faz parte de nossa cultura, porque as mulheres ainda sentem receio de perder o emprego. “Isso ainda faz parte da nossa cultura. Porque as mulheres que sofrem assédio no ambiente de trabalho têm receio da demissão. Por isso é que nós precisamos falar tanto de assédio. Para que as mulheres se sintam encorajadas para denunciar e também para que os ambientes de trabalho tenham espaços para que essas denúncias sejam apuradas”, afirma.


O encontro que foi aberto ao público reuniu parlamentares gaúchas e integrantes da Ufrgs, Instituto Cidade Segura e também da Themis, ONG voltada para a defesa e promoção dos direitos das mulheres. Durante a discussão, além de analisados os dados da 1ª Pesquisa de Vitimização de Porto Alegre, também foi feita uma análise sobre os julgamentos de homicídio de mulheres pelo Tribunal do Júri, além de discutir o atendimento realizado pelas promotoras legais populares, que lidam diretamente com violência contra as mulheres nas periferias.


A primeira Pesquisa de Vitimização de Porto Alegre, divulgada em fevereiro deste ano, revelou que existem 441 mil casos de violência contra mulheres na Capital. Do total, 28 mil foram assediadas sexualmente, 44 mil já foram estupradas, 238 mil receberam comentários desrespeitosos na rua, 84 mil foram tocadas sexualmente sem sua autorização e 47 mil foram agarradas ou beijadas à força.


Dados da nova pesquisa de vitimização realizada pelo Instituto Cidade Segura em Porto Alegre


Você já teve algum episódio de assédio no Ambiente de Trabalho?


Do público consultado, 13% disseram que já foram constrangidos por superior no trabalho com uma proposta ou insinuação de cunho sexual alguma vez na vida. Destes, a grande maioria – 71,5% são mulheres. Em relação às mulheres que afirmaram ter sofrido assédio, 86,4% não denunciaram.


Você já teve algum episódio de situação de constrangimento sexual?


35,1% das mulheres consultadas na pesquisa já foram importunadas com comentário de intenção sexual no transporte coletivo (ônibus, taxi ou carro de aplicativo). Desse número, 96,3% não registraram boletim de ocorrência. Em dados mais específicos, 13,4% das mulheres afirmaram que alguém já lhe tocou sexualmente sem o seu consentimento; 7,5% já foram agarradas ou beijadas sem o seu consetimento; e 2,2% das mulheres afirmaram que homens já tentaram se aproveitar por as mesmas estarem alcoolizadas.


Aborto não deveria ser considerado crime até o 3º mês de gestação?


43,2% dos entrevistados concordaram (totalmente ou em parte) que o aborto não deveria ser considerado crime até o final do terceiro mês de gestação.


Mulheres se comportam como se pedissem para ser estupradas?


36,5% dos entrevistados concordam (totalmente ou em parte) de que há situações em que mulheres se comportam como se pedissem para ser estupradas. O que chama atenção na pesquisa é que mulheres concordam em maior proporção com a afirmação.

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