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GIRO ESPECIAL
Redes sociais propiciam troca de experiência
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Moises Pacheco Gravataí - RS
Postada em 12/05/2018 ás 23h17
Redes sociais propiciam troca de experiência








No mundo tecnológico, as redes sociais têm um lugar à parte. Os hiperconectados que o digam. Dados indicam que o Brasil é um dos países em que mais pessoas acessam as redes, cerca de 29 milhões, em um total de 67,5 milhões de internautas espalhados pelo mundo. A cada dez pessoas conectadas em solo brasileiro, oito fazem parte de alguma rede. Para as mamães da era digital, muito mais do que interação, lazer e busca por contatos, as redes são símbolo da maternidade real, do colo, da companhia e da troca de saberes. 

Mariah Barcellos Balena, 23 anos, é parte dessa turma de mães adeptas às redes sociais. Menina doce que impressiona não por seus cabelos cor-de-rosa ou por suas várias tatuagens espalhadas pelo corpo, mas pelo número de seguidores que tem o seu canal no Youtube: 239 mil. Cheia de atitude, mãe dos gêmeos de um ano Martina e Vicente, Mariah empoderou e deu voz a muitas mulheres que, assim como ela, conheceram a maternidade cedo e de forma inesperada, mas não menos prazerosa.


Fã das redes desde sempre, assim que descobriu que estava grávida, optou por trocar o nome do seu canal por conta dos assuntos que, inevitavelmente, também mudariam: as pautas de moda, maquiagem e cabelo do “Acordei Assim”, se transformaram em ricos conteúdos do seu novo universo no “Louca é a Mãe”. “Eu tinha 3 mil inscritos e, depois que comecei a postar vídeos sobre maternidade, o número cresceu absurdamente”, conta. 

Suas postagens trazem relatos reais sobre a rotina com os bebês e os temas abordados vão desde viagens com os pequenos, passando pela tentativa de se maquiar na presença deles e pelo sentimento de culpa que normalmente chega com a maternidade. Uma dose de muito bom humor, toques de desabafo e paradinhas estratégicas para brincar, dar colo, comida ou carinho para os gêmeos, fazem com que Mariah seja um fenômeno. “Não escondo nada dos meus seguidores”, comenta.

A youtuber acredita que a grande maioria dos inscritos no seu canal são mulheres e mães, de todas as partes do Brasil, e que a identificação é o que faz com que o “Louca é a Mãe” seja tão assistido. “Muitas das ideias que tenho para os vídeos chegam com os comentários e eu leio todos, não deixo passar um”, esclarece. Além de apresentar uma maternidade pé no chão, a menina de cabelos cor-de-rosa quer deixar claro que sim, tem como ser mãe e mulher ao mesmo tempo. “O importante é buscar uma vida mais leve e divertida, sem se cobrar tanto”, revela. 









Mariah é avessa a julgamentos e preconceitos, tanto que o nome do seu canal veio como uma resposta irônica à opinião de algumas pessoas sobre seu cabelo colorido, suas tatuagens e sobre o fato de ter engravidado sem querer. “O que eu dizia para esses sujeitos? Louca é a mãe!”, conta. 

Assim como a mãe da Martina e do Vicente, um sem fim de outras mamães são admiradoras incondicionais das redes. A pesquisa realizada pela Kantar Brasil Insights, que faz consultoria e análise de dados, comprova essa paixão: 88% da amostra de mães investigada acessa as redes, em média, por duas horas e 42 minutos, e o celular é o dispositivo que mais usam (89% passam quatro horas por dia no aparelho e 91% deste tempo é dedicado ao acesso às redes).

O que antigamente era escrito no diário do bebê para ser dividido com familiares e amigos, hoje, na era digital, ganhou as redes (e o mundo) e deixou de ser compartilhado apenas com pessoas mais íntimas. As consultas ao pediatra, o resultado do teste do pezinho, os primeiros passos, as primeiras palavras, as dúvidas quanto às vacinas e à escola ganham vida à medida que são postadas, comentadas, discutidas e partilhadas com inúmeras outras mamães que, por sua vez, também dividem experiências, descontentamentos, tristezas, conquistas, medos, dilemas e saberes. É tudo questão de troca e, nesse processo, as redes surgem como facilitadoras.
 
O fato de um mesmo sentimento ser experimentado por muitas mães ao mesmo tempo, na mesma intensidade, e isso ser escancarado aos quatro ventos de uma maneira leve e agradável aos olhos e aos ouvidos, vale muito. E bem mais do que o reconhecer-se nas postagens, vídeos e comentários, as redes reconfiguraram a forma como as mulheres vivenciam a maternidade.

É inegável que as redes são influentes e poderosas. Seu papel inicial, o de promover conversa, convívio, entretenimento, aproximação e busca por contatos (de qualquer espécie), recebeu incrementos, o que fez com que fossem promovidas ao status de indispensáveis. A socióloga Sueli Cabral, professora na Feevale e doutora em Ciências Sociais pela Unisinos, acredita que sim, as redes sociais são de fato dominantes. Mas, segundo ela, essa supremacia existe por responsabilidade das próprias pessoas, que se permitiram essa brecha. “As redes são apenas instrumentos de viabilização, no entanto, damos a elas um poder excessivo.” 


















Rede de trocas










A pedagoga Beatriz Caleffi de Miranda, 24 anos, é a Bia, outra hiperconectada que vive no celular. Ela não é mãe, mas é dinda e tia do Vicente, 5 anos, e da Marina, de 3. Ao lado das mamães Janni Carvalho e Fabiane Cid, Bia administra, há três anos, o “Mães do Bem”, grupo que conta com mais de 3,5 mil membros no Facebook e acredita no lema “o amor como caminho”.

Para participar, existem pré-requisitos: ser mãe, dinda ou tentante (termo que se refere às mulheres que estão tentando engravidar), enviar solicitação e aguardar o retorno. E, quando chega a resposta do pedido para ingresso no grupo, se abre um mundo de postagens que não têm pretensão alguma a não ser auxiliar as mulheres no momento sublime da maternidade.
 
Assuntos como indicações de médicos, fraldas mais em conta, dicas para amamentar, trocas de figurinhas do álbum da Copa do Mundo, orientações sobre onde alugar material para festas de aniversário e sobre desenhos infantis, entre outros, são debatidos com uma interação ímpar. “É uma forma saudável de trocar informações, experiências, sentimentos e receios”, relata.

Bia comenta que as postagens são diárias e que ela não visualiza todas antes de as mamães publicarem. Segundo a pedagoga, os problemas no grupo são quase inexistentes e, quando existem, são imediatamente solucionados com a boa vontade das administradoras e das mães. “Não toleramos polêmica e muito menos julgamentos”, afirma, e lembra que indicar medicações também é terminantemente proibido. 









Há ainda mães que preferem a rapidez, a pessoalidade e a facilidade do Whatsapp, como as participantes do “Melhor Grupo das Mamães”, administrado pela economista Marianna Lima, gaúcha que escolheu Curitiba para viver. Hoje com cerca de 40 mães de todas as partes do Brasil (e de mães brasileiras que moram em Portugal e EUA), o grupo não é aquele tradicional que partilha conteúdos sobre o colégio dos filhos, tão comuns no Whats.

Os temas, tarefas para o dia seguinte, o casaco que não voltou da escola e convites para festinhas são substituídos por desabafos, troca de saberes, relatos de angústias e pedidos de conselhos. Para as mamães que moram fora, e que não contam com nenhum familiar por perto para dividir os momentos dos pequenos, o grupo tem um sabor especial.

“É com as amigas virtuais que essas mulheres compartilham os progressos dos filhos”, revela. A mãe da pequena Laura conta que a base do “Melhor Grupo das Mamães” é o respeito às diferenças, pois, de acordo com ela, as mães precisam aceitar a maneira com que cada família cria seus filhos. “Fazemos uma legítima terapia”, encerra Marianna.


















Use com moderação


O Youtube, o Facebook e o Whatsapp, ao lado do Pinterest, do Twitter e do Instagram permitem que as mães “chorem as pitangas”, troquem conhecimento, ganhem colo, companhia, aconchego, partilhem mazelas e vitórias, mas o outro lado da moeda mostra que, à medida que o poder das redes cresce, o diálogo presencial diminui. É o que pensa Maria Isabel Wendling, psicóloga, professora na PUCRS e especialista com formação em terapia de casal e família pela mesma universidade. “As redes não devem substituir a conversa ao vivo, pois ela implica afeto, abraço, olhar e sentir”, descreve.










Segundo Maria Isabel, o apoio físico é essencial no cotidiano, especialmente durante a maternidade, momento em que o suporte é mais do que necessário”, explica. A socióloga Sueli Cabral, mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), acredita que essa falta de diálogo e de baixa interação humana, que acontece por conta da presença massiva da tecnologia, provoca na sociedade uma fluidez nos relacionamentos. 

Laços se desfazendo por um lado, e por outro as redes levando até às mulheres a maternidade nua e crua, a vida como ela é. “Nem tudo são flores quando se é mãe, e o Facebook, o Youtube e o Whatsapp nos trazem um universo totalmente real, sem floreios”, relata a psicóloga. Questões como dificuldades no parto, dores no pós-parto, uma exaustão desumana e bebês que não param de chorar, deixando mães com os cabelos em pé, são desromanceadas pelas redes. Ponto para elas, considera Maria Isabel. 

Outra vantagem das redes, segundo a mestre em Psicologia Clínica pela PUCRS, é a ideia da catarse, do falar, do revelar-se. “Isso acontece toda vez que se posta um conteúdo, seja ele texto ou vídeo”, explica. Vale a máxima de uma sessão de terapia: colocar para fora para que se consiga elaborar e, assim, conquistar a tão desejada sensação de alívio. “As redes acolhem e tranquilizam e, no momento em que a mãe se sente melhor, ela respira e volta de cabeça erguida para todas as demandas de que precisa dar conta”, afirma. 

A facilidade de contato, a rapidez em oferecer respostas e a acolhida que se pode obter por meio das redes sociais eram impensáveis há até bem pouco tempo. No entanto, é importante buscar também o contato olho no olho e o afeto que só um abraço proporciona. Ao que tudo indica, as redes podem ser grandes aliadas, desde que usadas com moderação. 























 









 



 





 

 




FONTE: http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/Geral/2018/05/650223/Redes-sociais-propiciam-troca-de-experiencia-as-maes-do-seculo-XXI
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