Quarta, 20 de junho de 2018
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Giro Mobilidade

30/05/2018 ás 17h19 - atualizada em 30/05/2018 ás 17h21

Moises Pacheco

Gravataí / RS

Vale a pena ter um carro a diesel no Brasil?
Confira os modelos disponíveis
Vale a pena ter um carro a diesel no Brasil?

A greve dos caminhoneiros pegou muita gente de surpresa. As bombas de gasolina e etanol ficaram secas nos postos de combustíveis de todo o país durante nove dias e só voltaram a ser reabastecidas parcialmente nesta terça-feira (29). O que não faltou para ninguém durante esse período foi o diesel, justamente o principal motivo da paralisação. Mas vale a pena ter um veículo movido a diesel no Brasil?


Segundo especialistas ouvidos pelo site EXAME, em geral, não. A avaliação é que os carros com motor a diesel só são indicados para as pessoas quando elas precisam percorrer longas distâncias diárias, especialmente em estradas. Caso contrário, o preço maior de compra desses veículos e o custo mais elevado de manutenção, comparado ao dos modelos flex e a gasolina, acabam não compensando, mesmo com os recentes subsídios anunciados pelo governo.


“Seria uma decisão muito precipitada por parte das pessoas optarem por comprar um carro a diesel nesse momento pontual de greve que vivemos”, diz Carlos Domingues, diretor geral da KBB Brasil, referência internacional em preços de automóveis. “O Brasil optou há muito tempo por um modelo rodoviário de transporte que prioriza outros combustíveis em detrimento do óleo diesel, e isso não vai mudar. As pessoas não devem tomar decisões no calor da greve sem antes fazer as contas”, completa.


O Brasil é um dos poucos países no mundo em que há restrições para a comercialização de automóveis movidos a diesel. Em 1976, o extinto Ministério da Indústria e Comércio (MIC), através da portaria 346, determinou que apenas modelos comerciais leves e pesados podem ser impulsionados por esse tipo de motor —o que em tese restringe as opções de carros a diesel a menos de duas dezenas entre os zero-quilômetro, todas de carroceria SUV e com preços acima dos 100 mil reais.


A decisão de proibir carros de passeio a diesel no país foi motivada pela crise do petróleo durante a década de 1970, como parte do programa de incentivo à utilização do álcool (etanol) como principal combustível para os automóveis. Embora esse contexto econômico já não faça mais sentido há décadas, a restrição persistiu com base em argumentos ambientais, uma vez que, historicamente, o diesel sempre foi o mais danoso à atmosfera pela maior quantidade de material particulado (poluentes suspensos no ar) emitida por quilômetro.


Segundo a determinação do governo, para que os veículos possam ter motores a diesel eles precisam atender alguns critérios, como ter capacidade de carga de uma tonelada e/ou tração 4×4 com caixa de transferência reduzida —ou seja, na prática, a relação das marchas fica muito mais curta para permitir que o veículo transponha obstáculos com mais facilidade.


E é nesse último critério que alguns utilitários esportivos conseguem se enquadrar, a exemplo do Jeep Renegade, o SUV a diesel mais barato do país, que segundo a tabela de preços da Kelley Blue Book Brasil custa 106.981,00 reais na versão Custom 4×4 2.0 Turbodiesel na região de São Paulo.


Preço elevado


Dados do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores) e da Abipeças (Associação Brasileira da Indústria de Autopeças) apontam que os autoveículos a diesel representavam, no ano passado, 9,9% da frota total do país. Os veículos flex eram aproximadamente 62,7% da frota total e os veículos a gasolina, 26,5%. Somadas, as duas categorias atingiram cerca de 90% dos automotores circulantes. A frota movida apenas a álcool (etanol) representava apenas 0,7% do total em 2017.


Como o volume de automóveis a diesel no Brasil é baixo e os modelos pertencem a categorias de maior valor agregado, outro problema para quem se interessa por este tipo de veículo é a diferença de preço entre as versões diesel e flex ou gasolina. Considerando automóveis e modelos comerciais leves (ou seja, as picapes), essa variação é de 25% em média, tornando os modelos a diesel menos atraentes sob o ponto de vista mercadológico.


“Na prática, só pessoas com alto poder aquisitivo podem ter acesso a esses carros. Eles são mais caros do que os seus equivalentes a gasolina ou flex por questões técnicas. E, apesar de serem mais econômicos e terem uma autonomia maior, além de o preço do óleo diesel ser mais baixo do que o da gasolina, eles acabam não compensando se você não tiver a necessidade de percorrer longas distâncias no seu dia a dia”, diz o consultor financeiro André Massaro, autor do blog Você e o Dinheiro. “Considerando os preços médios nacionais de diesel, gasolina e etanol, o valor a mais pago pelo consumidor por uma versão diesel demoraria muitos anos até ser amortizado pela vantagem do combustível mais barato.”


Na ponta do lápis


Para saber quando o carro a diesel vale a pena, é preciso colocar todos os custos na ponta do lápis. Primeiro, é necessário levantar qual é o consumo do carro a diesel (quantos quilômetros ele consegue percorrer por litro de combustível). Essa informação pode ser encontrada no site do Inmetro.


Em seguida, a pessoa deve considerar uma média de quilômetros que roda por ano e coletar o preço médio do diesel —de acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o preço médio do diesel até a semana passada, antes da greve dos caminhoneiros, era de 3,86 reais por litro. Com esses dados em mãos, é preciso fazer o cálculo: preço médio do diesel dividido pelo consumo do carro vezes a quantidade de quilômetros rodados por ano. Em seguida, a mesma conta será feita, mas, dessa vez, com o consumo de etanol e gasolina.


É preciso descobrir a diferença: valor gasto por ano com etanol e gasolina menos o valor gasto por ano com diesel. Então, basta dividir o resultado pela diferença de preço entre a versão diesel e flex do carro para saber em quantos anos o valor gasto seria amortizado.


Custos mais altos com manutenção preventiva e seguro em carros diesel deixam a conta ainda menos favorável aos modelos diesel. Simulação feita pela ComparaOnline a pedido do site EXAME mostrou que a diferença de gasto anual médio do mesmo carro (Jeep Renegade) em versões flex e diesel pode ultrapassar os mil reais, considerando uma rodagem média de mil quilômetros por mês, mesmo quando são levados em conta os preços menores do diesel que foram anunciados nesta semana pelo governo federal.


“O IPVA do carro a diesel é maior porque reflete o valor venal do carro, que é sempre superior na versão diesel do que na flex. Além disso, o motor diesel tem um custo de manutenção também maior, o que colabora para encarecer o valor do seguro desse tipo de carro”, diz Paulo Marchetti, CEO da ComparaOnline.


Carros a diesel a venda no Brasil:


A pedido do site EXAME, a KBB Brasil listou quais são os carros a diesel disponíveis no país e seus respectivos preços de mercado (tabela KBB) e valores sugeridos pelas montadoras:


-Audi Q7 Ambition 3.0 V6 TDI Quattro: R$ 407.990 (Sugerido: R$ 424.990);


-BMW X5 xDrive30d 3.0: R$ 426.752 (Sugerido: R$ 439.950);


-Chevrolet S-10 LS 4×4 CD 2.8 TDI MT: R$ 129.666 (Sugerido: R$ 136.490);


-Chevrolet Trailblazer LTZ 2.8 TDI: R$ 205.535 (Sugerido: R$ 212.990);


-Fiat Toro Freedom 2.0 16V TDI: R$ 125.668 (Sugerido: R$ 131.590);


-Ford Ranger XLS CD 2.2 4×2 Diesel: R$ 135.830 (Sugerido: R$ 141.490);


-Jaguar F-Pace Prestige AWD 2.0 TB Diesel: R$ 314.438 (Sugerido: R$ 322.500);


-Jeep Compass Longitude 4×4 2.0 TB AT9 Diesel: R$ 140.630 (Sugerido: R$ 146.490);


-Jeep Grand Cherokee Limited 3.0 V6 TB Diesel: Sugerido: R$ 329.990**;


-Jeep Renegade Custom 4×4 2.0 16V AT9 Diesel: R$ 106.981 (Sugerido: R$ 110.290);


-Land Rover Discovery Sport SE 2.0 TD4 Diesel: R$ 239.105 (Sugerido: R$ 246.500);


-Land Rover Range Rover Autobiography 4×4 4.4 SDV8 Diesel: Sugerido: R$ 757.114**;


-Land Rover Range Rover Evoque SE 2.0 TD4 4×4 Diesel: R$ 244.510 (Sugerido: R$ 249.500);


-Land Rover Range Rover Sport SE 3.0 SDV6 Diesel: Sugerido: R$ 440.211**;


-Land Rover Range Rover Vogue 3.0 TDV6 Diesel: Sugerido: R$ 614.819**;


-Mercedes-Benz GLE 350 D Highway 3.0 V6 Diesel: Sugerido: R$ 391.900**;


-Mercedes-Benz GLS 350 D 3.0 V6 Diesel: Sugerido: R$ 487.900**;


-Mitsubishi L-200 Triton Sport GL 2.4 Diesel: R$ 117.360 (Sugerido: R$ 120.990);


-Mitsubishi Outlander 2.2 TDI: R$ 176.530 (Sugerido: R$ 181.990);


-Mitsubishi Pajero HD 4×4 3.2 TB-IC Diesel: R$ 134.390 (Sugerido: R$ 139.990);


-Mitsubishi Pajero Full HPE 4WD 3.2 TB-IC AT 2p Diesel: R$ 210.690 (Sugerido: R$ 214.990);


-Nissan Frontier SE 4×4 2.3 16V AT7 Diesel: R$ 146.460 (Sugerido: R$ 150.990);


-SsangYong Korando 2.2 TDI Diesel: Sugerido: R$ 129.990**;


-SsangYong Actyon Sports 2.2 TDI Diesel: Sugerido: R$ 129.990**;


-Toyota Hilux STD 4×4 2.8 TB Diesel: R$ 133.554 (Sugerido: R$ 136.280);


-Toyota SW4 SRX 4×4 TB 5L AT Diesel: R$ 235.837 (Sugerido: R$ 250.890);


-Volkswagen Amarok SE 2.0 TDI Diesel: R$ 135.135 (Sugerido: R$ 143.000);


-Volvo XC90 Momentum D5 AWD 2.0 Drive-E AT8 Diesel: R$ 388.454 (Sugerido: R$ 419.950).

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